quinta-feira, dezembro 11, 2008

Pic-nic em La Corniche!


Foto: Afrânio

Rola a boca miúda que: “A cópia de um texto constitui-se num plágio e várias cópias de vários textos numa monografia.” Foi praticamente uma monografia que fiz sobre o Marrocos, cheinho de dicas valiosas (mesmo as mais exageradas).
Uma destas dicas que li em 10 de cada 10 sites pesquisados era um alerta sobre a água para beber. Se aqui no Brasil eu já cultuo uma mania de me abastecer de água para qualquer viagem por mais curta que seja, imaginem a preocupação que me invadiu!! Então, assim que deixamos as malas no apartamento do Hotel em Casablanca fomos explorar um mercadinho simpático, embora tenha ficado fascinada com a variedade de pães e queijos levei apenas a água, já pensando nos aproximadamente 91 km que percorreríamos no dia seguinte até Rabat.
Mohammed sugeriu que almoçassemos antes de seguir viagem, assim chegaríamos em Rabat à tempo de visitar o Mausoléu de Mohammed V e nos levou para um restaurante com uma vista linda para o mar.
Mas eu definitivamente não estava afim de ficar presa num restaurante, principalmente porque estávamos em plena La Corniche – uma espécie de avenida beira-mar – que fervilhava de gente por conta de uma competição de bike. Convenci a Emily para vir comigo explorar os arredores e logo encontramos a Jane e o Afrânio prontos para o seu já tradicional pic-nic - vale lembrar que a Jane é PHD em organização, enquanto na noite anterior eu me preocupava apenas em comprar água, ela premeditadamente se abasteceu de guloseimas para preparar sanduichinhos além de sucos e frutas secas -, fiquei animada com a idéia de nos juntarmos a eles, paramos numa mercearia para comprar pães, queijos e cerveja e seguimos em busca de um banco para a nossa inesquecível Petit confraternização.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

Viagem de auto-conhecimento


Emilia me apareceu com um convite para viajar, seria uma excursão pela Europa mas, quando ouvi sobre o itinerário apenas um lugar ficou gravado em mim. Marrocos! Não foi a Espanha com sua arte a céu aberto nem muito menos os azulejos de Portugal, total injúria a minha essencia de ceramista bem sei. Meus sentidos ouviram apenas Marrocos!
Marrocos e suas cores, seus mistérios, sua cultura, deserto e religião complexa com suas mulheres envoltas em lenços, muitas vezes coloridos e sempre muito bem amarrados e olhares marcados pelo kajal e seus homens protegidos do calor e do frio (que muitas vezes pode chegar a 48°C no deserto durante o dia e a noite com ventos gelados espalhando areia para todos os lados) em suas djelabás, muito bem cortadas e caríssimas.
E foi para o Marrocos da minha imaginação que me preparei inocentemente com uma mochila, crente que seria uma aventura exótica com noites vividas em acampamentos tuaregues no maior deserto do mundo, onde chegaríamos montados em camelos, afinal Cidades como Casablanca, Rabat, Fez e Marrakesh (Marracheque para os intimos) já nos fazem sentir em um conto de As Mil e Uma Noites.
Porém nossa aventura começou no aeroporto de Casablanca (tradução para Dar-el-Beida), mais precisamente no guichê de cambio onde trocamos euros e dolares por Dirham (a moeda local) e em seguida fomos para o Hotel (Idou Anfa) onde jantamos todos (Éramos quatorze pessoas do Grupo Vivavida) após um bom e merecido banho.
No dia seguinte após o café juntaram-se ao nosso Grupo, dois rapazes de São Paulo e um casal (suiço?), seríamos todos guiados por Mohammed (poliglota, mega convencido, mas devo confessar que com justa causa e apelidado por nós por Maomé (pela definição abaixo, não estavámos longe da verdade, e nem ele.).
Maomé ou Muhammad (em
árabe: مُحَمَّد, Muḥammad ou Moḥammed; Meca, c. 570Medina, 8 de Junho de 632) foi um líder religioso e político árabe. Segundo a religião islâmica, Maomé é o mais recente e último profeta do Deus de Abraão.).(http://pt.wikipedia.org/wiki/Maom%C3%A9)
Mohammed iniciou o tour por Casablanca a partir de um mercado em frente ao antigo Hotel Lincoln, onde pudemos admirar a variedade de frutas secas e os utensílios diferentes que são usados no dia-a-dia do povo local.
Após o primeiro alvoroço e uma inusitada negociação a cerca de uma djelabá feminina a porta do mercado, entramos novamente no onibus e seguimos sendo doutrinados sobre um país islâmico. Mohammed explicava vagarosamente em português e francês sobre as diferenças culturais que para mim começaram a se revelar com mais força assim que paramos em frente a
Mesquita Hassan II . Yal-laaa.
Uma Mesquita parcialmente erguida sobre a água, ricamente decorada e projetada, inspirada na passagem do Alcorão que diz: “O trono de deus estava sobre a água”. Uma obra gigantesca que, de acordo com nosso guia, só é superada por uma
Mesquita em Meca . Tudo muito grandioso, seus mármores, desenhos, portas, cores, arcos, luminosidade nos imprimindo uma sensação de estar presente num mundo real-ireal e toda esta grandiosidade me fez perceber que esta minha história com Marrocos não seria uma versão mochileira como eu imaginava ...ufa rs... Pude descobrir que não sou nem um terço aventureira como me imaginava ser!